Gestão cega: o custo invisível de manter o negócio no piloto automático. Descubra os erros de gestão financeira que estão custando caro à sua empresa
- Delza Barbosa

- 11 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Existem negócios que parecem ir bem. As vendas acontecem, o caixa gira, e o dono acredita que o financeiro está “sob controle”. Mas basta olhar com um pouco mais de profundidade para perceber que, na verdade, há dinheiro indo embora por todos os lados, silenciosamente.
E o mais curioso é que, muitas vezes, o problema não está nas vendas, nem no faturamento. Está na forma de administrar, nas decisões automáticas, e em uma mentalidade herdada de anos de costumes e crenças que já não servem mais para o momento atual do negócio.
Foi o que aconteceu com uma empresa familiar de décadas de existência, administrada por duas irmãs que herdaram a operação do pai. Embora ele já não participasse ativamente da gestão, sua maneira de administrar ainda estava profundamente enraizada no dia a dia. E, como acontece com muitas empresas familiares, esse apego a antigos jeitos de fazer as coisas estava custando caro — literalmente.
O desafio
À primeira vista, o negócio estava saudável. Mas bastaram algumas análises mais detalhadas para que viessem à tona custos ocultos, desperdícios e decisões que drenavam dinheiro mês após mês.
Um dos funcionários, por exemplo, representava um prejuízo total de mais de R$21 mil por mês — somando salário, encargos e danos causados por falta de qualificação. Era o típico caso da “economia burra”: acreditavam estar economizando por não contratar alguém mais caro e capacitado, mas, na prática, perdiam muito mais corrigindo os erros.
Além disso, havia outros cargos desnecessários, repasse incorreto de impostos e falhas em precificação que, embora pequenas quando vistas isoladamente, somavam uma perda significativa ao longo do tempo.
O diagnóstico
A análise mostrou que o problema central não estava nos números, mas na mentalidade de gestão.
Durante anos, as decisões foram tomadas “no feeling”, baseadas em hábitos antigos, em vez de dados e indicadores reais.
É o que chamo de gestão cega: quando o empresário acredita que conhece o próprio negócio, mas toma decisões com base em percepções e não em fatos. E, com o tempo, isso cria um sistema de crenças difícil de romper:
“Sempre fizemos assim e deu certo.”
“Funcionário antigo é de confiança, mesmo que custe caro.”
“Não precisa mudar, o negócio está andando.”
Essas frases parecem inofensivas, mas são elas que mantêm a empresa no piloto automático, enquanto o dinheiro escorre por entre os dedos.
A virada
Quando a gestão foi reorganizada, o resultado foi imediato. Começando por ajustes simples de precificação, houve um aumento de 5% nos preços, o que representou R$27.500 a mais por mês em faturamento.
A reavaliação da equipe eliminou cargos desnecessários e trouxe uma redução de custos superior a R$28 mil por mês — o equivalente a mais de R$337 mil por ano.
Além disso, foi corrigido o repasse de impostos que estava sendo arcado pela empresa indevidamente, gerando mais R$21.600 anuais de economia.
Tudo isso sem grandes mudanças estruturais, sem investimentos altos e sem aumentar as vendas de forma significativa. O ganho veio da clareza, da gestão consciente e da coragem de romper com velhos padrões.
O resultado real
Em apenas seis meses, a empresa saiu de um cenário de desorganização silenciosa para uma operação financeiramente equilibrada e lucrativa.
As gestoras não só passaram a entender seus números com clareza, como assumiram o controle real da empresa, com decisões baseadas em dados, não em suposições.
Mais do que um resultado financeiro, foi uma transformação de mentalidade. Elas entenderam que crescer não é vender mais, é saber onde o dinheiro está indo, e fazer ele trabalhar a favor do negócio.
Reflexão final
Muitos empresários acreditam que precisam vender mais para lucrar mais.
Mas, na prática, o lucro vem quando se para de perder dinheiro nas brechas invisíveis da gestão.
E o primeiro passo é reconhecer que o problema pode não estar nas vendas, e sim na forma como o negócio é conduzido. Porque, enquanto o dono continuar no piloto automático, achando que “tá tudo bem”, o dinheiro vai continuar indo embora, devagar, mas constantemente.
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Delza Barbosa - Especialista em Finanças para Negócios




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